Eu ando. Eu traço o meu caminho, a minha trilha, o meu destino, a minha vida. Vou por esse caminho. Eu quero tomar as minhas decisões, eu quero seguir sempre em frente. Nunca -por mais tentador que seja- posso olhar para o lado. Eu tenho que seguir em frente.
Mas chega um momento em que percebo que não ando mais totalmente só. Como? Ainda assim eu não posso me distanciar, sempre para a frente.
O que é mesmo a raça humana se não querer acabar com os limites, trapacear as regras e dar um jeitinho de se sobressair no meio de “todos”?? Não, os humanos foram se tornando hipócritas e soberbos (consigo mesmos)… Eles sempre olham para o lado. Então conformei-me em ser “mais uma humana”, fui vítima essa vez e me perguntei: “por que se todos olham, eu que sou como qualquer um não posso olhar?”. E nessa linha eu me embalei e olhei. Só por curiosidade olhei. Fui como todos, apesar de me sentir diferente.
Notei que ao lado das minhas pegadas, haviam outros pares… Não eram poucos, mas eram pares de pegadas que eu pensava conhecer -eu as sentia havia tempos- e considerava como parte das minhas pegadas. Erro.
As minhas pegadas foram feitas por mim, eu não deveria confiar assim em pegadas feitas por aqueles que não sei quem são.
Convivi com essas pegadas ha uns tempos. Eu pensei que era tempo o suficiente.
Me esqueci de um detalhe: aqueles que faziam as pegadas também eram humanos, hipócritas e soberbos como eu, como todos.
Eram caminhos entrelaçados ou reflexos de outros caminhos? Não sabia, mas no ápice daquela “paixão” eu achei que estaríamos todas entrelaçadas. Cada um vivia a sua vida, e eu vivia a vida daquelas pegadas.
As minhas pegadas estavam sendo deixadas de lado.
Até que o caminho tornou-se estreito, e as pegadas tinham que seguir suas vontades. Foi o que fizeram, seguiram SUAS vontades, e tomaram seus caminhos. Foram por onde deveriam ir. Minhas pegadas ficaram para trás.
Até saber que nunca teriam olhado para o lado (como eu teria feito). Aquelas pegadas eram como deveriam ser, auto-suficientes e completas.
Elas continuaram sem nunca olhar para o lado.
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